Patrick Ayres Dev & Storyteller

A Garota da torre

Mais um dia se passa… e novamente ninguém apareceu, quanto tempo faz? Não sei, essas sobras, imagino que eles já devem ter me dado por morta…

Não posso desistir, não posso me curvar diante de um destino tão vil… essa torre, encontrei uma falha nela, acho que se continuar cravando, minhas mãos, consigo abrir um caminho que me permita descer… minhas mãos, talvez elas cedam antes que eu possa conseguir… mas, mas… MEU ESPÍRITO NÃO MORRERÁ, EU VOU SAIR!

A garota subnutrida grita consigo mesma enquanto enfia suas mãos entre pequenas irregularidades presentes na estrutura de pedra, porém sua mente vacila e seu corpo não acompanha, caindo em um sono de exaustão, suas mãos começam a sangrar e um som de pedra deslizando passa pelos ouvidos da jovem.

Meu corpo… tudo dói, minha barriga continua a reclamar, meus olhos se abrem novamente em meio a escombros, o que é isso? Um laboratório? Parece abandonado a muito tempo.

Diante da visão, a mulher se levanta com dificuldade, olhando para cima, vislumbrando a queda, ela deslizou pelo escombros até o chão, tendo sorte em permanecer viva nesse estado, virando sua atenção novamente para o laboratório, diversos símbolos estranhos nas paredes, livros empoeirados nas prateleiras e utensílios sobre a mesa.

Então o mago deixou seus pertences aqui antes de desaparecer, o que será que aconteceu com ele? Bem, não importa, este lugar não o pertence mais, acho que finalmente ganhei um dia de sorte, o selo de proteção deste lugar deve ter se deteriorado com o tempo - andando ao redor da mesa visualizando alguns papéis a mulher para de frente para uma seringa empoeirada posta sobre a mesa, pegando-a em sua mão enquanto desviava seu olhar na direção de um livro aberto que permanecia em cima da mesa.

O que? Sempre nos foi ensinado que a magia é um dom com o qual nascemos, mas aparentemente este mago não concordava com isso… ou talvez isso nunca tenha sido verdade…

Olhando para o local pelo qual acabara caindo enquanto visualiza o ambiente ao redor, seu corpo vacila perdendo o equilíbrio e indo ao chão, neste instante algo muda, como se as engrenagens de sua mente entendessem o que precisa fazer, caindo ao chão, ela mantém a grande seringa sobre a cabeça tentando impedir que ela sofra um choque, desta forma enquanto permanecia caída, agora sentada no chão, ela olha mais uma vez para o buraco e então se põe de pé com dificuldade se apoiando na mesa e colocando a seringa sobre a mesma, enquanto leva em seguida sua mão até o livro limpando a poeira do mesmo.

Já faz muito tempo, nenhum nobre virá me resgatar, irei apodrecer aqui igual a muitas outras, estas malditas torres, sempre ouvimos que os magos eram seres malignos destinados a destruição, mas no fim, não foram eles os culpados por me deixarem aqui, e sim a minha própria família.

A adrenalina corre pelo corpo da mulher que folheia as páginas de forma apressada em busca de respostas, porém as limitações de seu corpo atacam novamente, sua visão fica turva e um zunido intenso surge em sua mente enquanto a mesma cambaleia sobre a mesa, olhando as páginas ao lado, ela chacoalha a cabeça tentando voltar a si, para então vislumbrar uma página rasgada sobre a mesa.

E-Eu conheço esses desenhos, fogo, gelo… tem diversos símbolos assim por aqui, está frio… tão frio… - entrando em devaneios a garota desmaia novamente adormecendo no chão.

Ah, o que está, minhas mãos - acordando a garota se depara com a ponta de seus dedos congelando, olhando para trás, percebendo um fina camada de gelo que começara a avançar ao longo do local, vindo de um ponto ao fundo da sala partindo de um grande bloco de terra, observando o local agora, diversas outras runas passaram a brilhar, o selo de proteção também devia estar contendo isso…

Será que eles sabiam disso também?

Se colocando em pé e andando lentamente até o local, ela acaba sentindo uma pontada violenta em sua perna, olhando para ela… o gelo estava começando a tomar conta de sua pele também, desta forma uma dor insuportável a acomete derrubando-a sobre o gelo que começa a avançar sobre o seu corpo enquanto ela se arrasta até o local, chegando ao bloco, a estrutura se revela como algum tipo de armazenamento, no qual a porta desmonta assim que ela toca, observando dentro existem… diversos recipientes com um líquido vermelho que parece brilhar levemente.

Sangue? Mas… o livro cita o preparo de uma substância, mas minha mente continua a me trair e agora isso, o que…

A garota cessa as reclamações para consigo mesma pegando 2 frascos do lugar e se arrastando pelo local enquanto o gelo tenta tomar seu corpo, chegando até a mesa e batendo de leve na mesma, a seringa desliza caindo diretamente na mão da garota que se coloca sentada contra a parede, olhando para o objeto por um momento enquanto as queimaduras de frio voltam a pesar, o sangue é inserido na seringa, e enquanto fecha os olhos, ela crava o utensílio em seu braço, sentindo uma queimadura intensa ao mesmo tempo que sente a substância se misturando ao seu sangue.

Olhando novamente para seu braço, ela retira a seringa, porém neste momento a mesma se estilhaça e o gelo avança até seu braço direito, segurando o frasco restante com a outra mão, ela leva o recipiente a boca o abrindo e então bebendo, o líquido desce queimando e sua cabeça começa a girar chocando-se contra a parede enquanto seu corpo fica dormente.

Frio… cada vez mais frio, meus olhos… pesados… este é o fim - os olhos da garota se fecham mais uma vez, enquanto a mesma permanece ouvindo o som do gelo avançar até tomarem também sua audição, e mesmo tendo todos os sentidos tomados pelo frio excruciante, sua consciência ainda se recusava a dar o último suspiro….

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Parte 2

O que? Estou viva?… Não, com certeza meu corpo ainda está na torre.

Diante da garota encontrava-se apenas uma escura vastidão coberta por incontáveis estrelas, em um ambiente incompreensível, em meio a todo este espaço residia ao longe uma grande árvore verdejante, contendo um grande olho presente em seu tronco, no qual parecia conter uma galáxia inteira, suas raízes e galhos a perder de vista sendo banhados pelas estrelas e a infindável escuridão que a cercavam.

Então esse é o pós vida? Meu corpo, estou curada ou é apenas clemência deste lugar.

Olhando ao redor sem encontrar sinal de quaisquer outra vida, a garota passa a fitar o grande olho que parecia estar procurando por algo incessantemente, ao fixar seu olhar no mesmo por alguns segundos, a árvore olha de volta, e uma sensação atravessa todo seu corpo, como se cada centímetro do mesmo tivesse sido perfurado por incontáveis agulhas, porém a garota por sua vez permanece impassível diante da dor, cerrando os punhos.

-Diga-me seu nome criança, você tem nas veias algo que não lhe pertence - uma voz grave e grossa atravessa os ouvidos da garota, ecoando enquanto uma figura humanoide totalmente preta se materializa a sua frente aguardando uma resposta.

Eu me chamo Myera, ou pelo menos me chamava assim… não tive escolha e também não me ajudou em nada…

O ser se aproxima da garota se colocando a poucos centímetros dela, sua face sem rosto o torna indecifrável, porém da mesma forma, Myera não se abala enquanto mantém os olhos fixos naquele estranha face vazia.

-Você é forte, poderá ficar com ele, eu permito - com a fala o ser coloca a mão no peito da mulher, a vestindo com um manto vermelho que se materializa sobre o corpo da mesma, contendo um símbolo de uma árvore envolvida por um círculo bordado nas costas.

O que… Myera passa a inspecionar a roupa que acabara de receber, porém antes que pudesse questionar, é empurrada para trás e sente seu corpo despencar até que sua mente se envolve novamente em escuridão.

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Parte 3

O frio retorna, sua consciência volta, seus olhos… abrem novamente vislumbrando uma vez mais o ambiente da torre.

Aquilo foi um… sonho? Olhando para seu corpo, nota as roupas diferentes recebidas no dito sonho, vestidas em seu corpo, olhando para o chão percebe também o gelo que continuava a avançar, porém agora… não estava mais a consumindo.

Não, foi real, mas… argh - tentando se pôr em pé, a garota cai ouvindo um estranho barulho de uma pedra de gelo rachando.

Droga, ah, não… calma…. o que estava perdido continuará perdido - olhando para sua perna, seus olhos se tornavam marejados enquanto tentava desviar seu olhar de seu membro em pedaços com a extremidade ainda latejando, Myera se arrastando até a mesa se coloca em pé recolhendo alguns papéis enquanto o gelo os tenta consumir também, apoiando-se na mesa, ela se desloca até um armário passando pela mesa encontrando alguns panos, dessa forma se colocando no chão novamente, recostando-se contra a parede enquanto tenta realizar uma atadura em sua perna, porém mal consegue mover seu braço direito devido ao gelo que a acometera.

Runas… como, eu preciso… aqui - a mulher volta seu olhar direção da estante, uma espécie de lápis afiado repousava sobre a mesa, pegando-o, a mesma passa a emitir um leve brilho azul, olhando para tal enquanto vira sua atenção novamente para a folha que repousava em seu colo, uma figura estranha, parecia algum tipo de dado desenhando com diversos espaços menores no mesmo.

ISSO VAI FUNCIONAR - grita a mulher para si mesmo ao cravar o instrumento na palma da mão direita, desenhando lentamente o símbolo na mesma, sentindo a energia violenta lutando contra seu próprio sangue, linha a linha.

O desenho se completa, o gelo continua a avançar, o símbolo brilha, sua mão se esquenta voltando ao normal em alguns segundos, ela flexiona os dedos e então o efeito cessa logo acima de sua mão, olhando para seu antebraço ainda afetado pela friagem, Myera coloca o lápis em sua mão recém recuperada movendo seu braço com cuidado e então começando a traçar as agonizantes linhas na palma de sua outra mão, com o segundo desenho finalizado, o gelo já havia chegado até onde ela se encontrava novamente, o símbolo se ilumina e passando a mão sobre o braço congelado o mesmo começa a voltar ao normal aos poucos.

Ok… manter a calma… - sussurra consigo mesma enquanto olha o gelo avançar e finalmente passa a realizar uma atadura improvisada ao redor de sua perna, que é seguida por ela se colocando em pé, apoiando-se na estante e estendendo a mão na direção do gelo que passa a recuar em resposta, desta forma ela começa a andar pelo laboratório forçando o gelo a recuar indo em direção ao seu ponto de origem, chegando até o compartimento que ainda contém algumas frascos de sangue, se colocando em frente a runa que originou a sequência de eventos.

No final isso realmente foi capaz de me conectar com a magia, então todos os magos realmente tem magia correndo em seu sangue?… Porém… não importa - enquanto pensa consigo mesma, Myera joga fora seus questionamentos empurrando ambas as mãos contra a runa, que por sua vez acaba se apagando e se partindo ao meio enquanto permanecia ali, entalhada no interior da caixa de pedra, seguindo tal ato, ela se vira se apoiando contra a parede e olhando para o laboratório que agora fora parcialmente danificado pelo gelo.

A mulher solta um longo suspiro enquanto se move lentamente até a prateleira de livros.

Ah, diversos deles foram danificados pelo gelo… ok, de qualquer forma o que tenho aqui já deve ser de alguma ajuda… um livro em branco? Hum, vou usar isso.

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Parte 4

Relato 1: Não sei a quanto tempo estou aqui, mas consegui utilizar magia de alguma forma, porém acabei presa na parte inferior da torre, e dessa forma também não ouço mais nenhuma movimentação externa, eles não irão mais trazer mantimentos acreditando em minha morte, consegui começar a criar uma chama simples.

Enquanto escreve, a barriga de Myera ronca, fazendo-a parar por um momento enquanto encara a página, um som atravessa seus ouvidos, algo correndo no canto da sala, instintivamente a garota se joga no chão incendiando a palma de sua mão, disparando uma pequena rajada de fogo na direção daquilo que se movia, caindo no chão em sequência, o cheiro de queimado sobe ao ar, se colocando em pé novamente, Myera anda apoiando-se nos móveis até o canto da sala, onde encontra um rato chamuscado, diante da criatura, a mesma se obriga a deixar as inseguranças de lado sentando no chão e agarrando a criatura….

Relato 4: Meu fogo agora está estável, comecei a conseguir manipular o gelo levemente, usei o que sobrou da minha perna direita para atrair diversos ratos, agora consigo sobreviver por mais algum tempo, limparei aquela antiga caixa gélida.

Preciso encontrar outra fonte de alimento, talvez algo relacionado a terra possa me ajudar…

Relato 7: Encontrei uma forma de criar uma pequena fruta, mas não é o suficiente ainda, ela está nascendo praticamente podre, tentei manipular a parede do castelo, porém a poeira da mesma quase sequer se mexeu, além disso eu me pergunto, de que vale apenas cair nesse campo aberto? Depois de tudo, nossa família decadente já me vendeu para compensar seus erros, e como de costume, o rei me colocou em uma dessas indesejadas antigas torres, eu pensei que pelo menos um deles sequer viria me ver…

Relato 10: Consegui! Finalmente a fruta está estável, porém continua sendo muito pequena, preciso de força, meu gelo está estável agora, tentei construir uma escada para a parte de cima, mas não obtive sucesso, talvez se eu imbuir essa fruta com a própria energia mágica?

Com o pensamento maquinando em sua mente, Myera olha para uma fruta que deixou sobre a mesa, a pegando em suas mãos fitando a pequena fruta vermelha por alguns segundos.

As runas inscritas nas palmas de suas mãos se iluminam, e algum tipo de essência começa a fluir para fora dos símbolos lentamente, com parte se perdendo no ar como pó, enquanto uma pequena parcela se fixa na fruta dando a mesma um leve brilho artificial.

Funcionou? O que… então, agora - a garota abocanha a fruta a engolindo, ao ingerir, um doce sabor aparece momentaneamente, simplesmente para dar lugar a uma grande ardência interna que a derruba no chão, com seus olhos lacrimejando a moça uma vez mais é buscada pela escuridão caindo em um sono induzido.

Páginas do diário se rasgam, os relatos cessam por alguns dias enquanto dia após dia a fruta passa a absorver cada vez mais da energia, enquanto seu próprio corpo tenta se adaptar aos constantes maus tratos advindos de um uso impensável da magia.

Relato ??: EU CONSEGUI, CRIEI UMA FRUTA QUE NASCE INFUNDIDA COM A ENERGIA, AGORA EU, EU.

Myera larga o lápis fechando os olhos por um instante, sentindo suas pálpebras pesadas, a mesma exerce um grande esforço para abrir os olhos novamente, arregaçando a manga de sua roupa e observando seu braço - sua pele parecia rachar seguindo o traçado de suas veias, desenhando linhas que brilhavam em uma luz fraca de tempos em tempos, visualizando tal situação outro longo suspiro escapa pela boca da jovem que esconde novamente o braço de si mesma.

Relato ??: Eu vou sobreviver e sair daqui, não preciso que ninguém ofereça um dote pela minha liberdade.

Olhando para a fruta novamente, a jovem faz uma reverência para a mesma - Sua mera existência, por mais dolorosa que seja, me livrou da morte e dos ratos.

Relato 27: A manipulação do solo se tornou mais complexa do que pensava, porém encontrei um caminho inicial, em breve devo conseguir construir um substituto para minha antiga perna, já fiz um protótipo, sinto que minha magia está ficando mais forte ao mesmo tempo que aos poucos a fruta se torna menos dolorosa de ingerir, será que estas duas coisas estão relacionadas?

Este lugar, tenho vivido de lascas e restos… porém se é isso que vai me garantir minha segunda chance, que seja… minha perna… ah… que inconveniente… enfim, a partir destas lascas que farei uma nova, a antiga caixa gélida que acabou comigo agora será parte do meu corpo.

Relato 32: Minha perna está pronta, funciona, finalmente, de alguma forma ela parece extremamente natural, uma estrutura de pedra que se prende onde antes havia minha perna natural, cheia de pequenas runas - a maioria sequer tem mais utilidade.

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Parte 5

Essa parede, foi por aqui que caí, o buraco deve ser o suficiente para que eu também consiga passar novamente para o lado de cima, porém…

Olhando para seus grandes e emaranhados cabelos castanhos, pegando em sua mão esquerda enquanto ergue a direita que começa a emanar o brilho rúnico, logo em seguida uma lasca de gelo se assemelhando a uma faca surge em sua mão, logo, antes que pudesse pensar mais sobre o assunto, Myera junta seus cabelos passando a lâmina nos mesmos, os cortando irregularmente na altura de seu pescoço, jogando tanto seus cabelos cortados quanto a lâmina ao chão enquanto fecha os olhos por um momento.

Ahhh….

Ok, continuar.

A mulher coloca as mãos lentamente sobre a pedra, iluminando as palmas, pequenas elevações surgem na parede na qual ela se segura, criando uma camada de gelo sobre as mãos mantendo-a fixa a parede, criando elevações ao longo da parede, apoiando seus pés nas mesmas enquanto escala o local, se movendo lentamente até o topo.

Aí, minhas mãos, bem já suportei um frio pior… ah, o sol, consigo ver o campo verde por aqui, esta torre parece até mais alta do que me lembrava - ao chegar ao topo a garota se joga para o chão da parte superior segundos antes de se colocar em pé novamente, olhando pela porta de pedra da torre que permanecia aberta a vários metros do chão.

Ah, melhor que lá embaixo, hum, talvez…

Myera olha para sua cama, lembrando de seu colchão, e em seguida virando seu olhar na direção de uma salinha existente no canto da torre, se movendo até a mesma enquanto sua perna de pedra continua a causar ruídos chocando-se com o chão de pedra durante sua caminhada, chegando até ela, uma modesta porta de madeira é aberta revelando um banheira abandonada na torre.

Ah, o mago pelo menos tinha algum apreço, uma pena eu nunca ter conseguido utilizá-la antes, nunca enviaram mantimentos o suficiente para tal, mas agora.

Sentando-se na borda da banheira, a mulher inspeciona a estrutura, encontrando uma runa no fundo da mesma.

Devia ser com ela que ele normalmente enchia isso, mas eu não conheço essa, hum, ok acho que isso deve funcionar.

Inclinando-se para dentro da banheira, tocando no símbolo e elevando sua mão lentamente, o símbolo reage e aos poucos a banheira se enche de gelo até o topo.

Éeee, tudo bem - olhando para a situação por um instante, ambas as mão da mulher se iluminam, sendo direcionadas ao gelo, emitindo uma pequena chama, direcionando o calor ao longo da superfície gélida, após alguns segundos a chamas dão lugar a apenas calor sendo irradiado de suas mão seguindo os esforços da mulher controlar o calor emitido, dedicando alguns minutos para tal ato, a água se torna quente.

Yeah! Acho que é a primeira vez que posso tomar um banho quente assim, vamos ver o que mais esse lugar tem - com a fala, Myera retira o lápis rúnico de seu bolso e passa a desenhar 4 runas ao longo do exterior da banheira, as ativando com um calor que acabara de refinar, e então se colocando em pé procurando qualquer coisa útil por perto.

Nossa, isso é estranhamente reconfortante, hum - se afundando na água quente da banheira, a mulher vira sua atenção na direção de um balde presente logo ao lado da banheira, com suas roupas dispostas em um suporte de madeira atrás do mesmo, enquanto mantém sua perna de pedra fora da água, seu corpo começa a relaxar, sentindo todo o preço da sua luta, entorpecendo seu corpo aos poucos, desta forma, ela recosta sua cabeça na banheira olhando para teto, levantando o braço ao alto e passando a mão sobre suas cicatrizes reluzentes.

Ha, ao menos, minha pele está deixando aquela coloração pálida para trás - um riso escapa pelo canto de sua boca, logo antes de baixar novamente seus braços para debaixo da água quente, aproveitando o momento e pela primeira vez em muito tempo, sendo levada ao adormecimento pelo puro conforto.

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Parte 6

Acordando diante de um ambiente escuro, Myera se levanta deixando a banheira, andando descalça sentindo o vento noturno passando sobre seu corpo molhado, observando a paisagem a partir da porta da torre que permanecia aberta, chegando até ela a mesma caindo aos pedaços, maltratada pelo tempo, cai de seu suporte, indo em direção ao chão do lado externo após receber um simples toque.

A lua, como eu a amo, a quanto tempo eu não tinha o privilégio de admirá-la levemente desta forma… - com a fala, a mulher se afasta do local olhando o entorno até que seus olhos encontram um símbolo familiar logo acima da porta.

Será que? - Apontando ambas as mãos na direção da runa, a mesma se ilumina em resposta, lentamente movendo a estrutura ao redor do símbolo, focando na situação, Myera traça uma linha imaginária do topo da porta até o chão, desenhando-a lentamente no ar, desta forma a runa a segue e porta passa a se moldar, fechando a passagem ao comando de Myera.

Hahahahah, isso, eu sei o que posso fazer - em êxtase a mulher levanta as mãos acima da cabeça gerando um brilho intenso que é seguido de um onda de calor que cobre seu corpo, a secando em segundos, em seguida indo até a sua roupa que permanecia estendida, estendendo as mãos e aplicando o calor nas roupas agilizando o processo.

Vestida novamente e com o lápis rúnico em mãos, ela ingere diversas frutas mágicas de uma vez esperando um choque violento…

Ué? Estão apenas doces? Mas a energia estava correta, continuam a brilhar normalmente também… ok, não importa.

A mulher começa a replicar a runa da parede ao redor da estrutura, iniciando pela sua descida de volta ao infame laboratório, uma escada em espiral é cuidadosamente construída a levando novamente ao andar inferior, uma vez mais no local, o mesmo passa a ser reorganizando com a manipulação da estrutura interna do local, em um processo lento de reparo e reestruturação, até o momento que o ele se torna uma vez mais um local ao qual pode-se chamar de casa.

Finalmente, agora este lugar está melhor, devidamente iluminado também, ironicamente minha perna nova parece estar me ajudando com esse lugar, hum, runas por todos os lados… - uma lança de pedra afiada é criada a partir do chão, sendo admirada por alguns segundo antes de ser posta em suas costas.

Muito bom, belíssima.

Voltando ao andar de cima, um círculo fora forjado no chão, presente no meio da sala, se colocando nele, uma pequena estrutura se forma ao redor dela se prendendo a sua cintura, esticando os braços para ambos os lados, suas mãos brilham novamente, o interior da torre se ilumina junto, uma fresta se abre horizontalmente a sua frente, lhe dando visão do mundo externo, a torre começa a se transformar, o solo a segue não sendo mais capaz de contê la, a torre começa a replicar uma estrutura externa praticamente humanoide se tornando então um gigantesco golem sendo controlado por Myera.

SIM, É CHEGADA A HORA, VAMOS!

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Parte 7

Uma garota esbelta encolhida em posição fetal em sua cama no escuro, passa a ouvir um grande estrondo do lado de fora, ficando mais alto a cada batida até o momento que sua torre parece ser atacada, em pânico, ela se joga para debaixo da cama, sua torre por sua vez se abre sendo inundada por uma luz artificial, revelando a noite estrelada do lado de fora, enquanto o rosto de uma estranha mulher de cabelos castanhos curtos, trajando roupas vermelhas, portando olhos vermelhos que brilhavam em meio a noite, com cicatrizes indecifráveis, aparece diretamente de dentro da estrutura que atacara.

Não, por favor não me consuma demônio, minha alma não tem valor para você!

A mulher se acua por um momento, ela não parecia estar esperando este tipo de recepção, porém observando suas mãos por um momento, a mesma estende-as em sua direção, é possível ver desenhos entalhados em sua carne enquanto a mesma assume um doce sorriso.

Não tema criança, eu vim aqui para te resgatar, suba a bordo de minha morada, prometo que não lhe farei mal, meu nome é Myera e já fui como você, então pode confiar em mim.

Diante da fala, a jovem se revela saindo debaixo da cama, ela não parece estar aqui a muito tempo, porém seu vestido branco e mãos calejadas parecem ter uma história para contar, olhando para a torre que se curvava ao comando da mulher a sua frente, ela arranca a parte de baixo do vestido e corre em direção a mulher, se colocando ao lado dela, inspecionando o estranho dispositivo.

Obrigada, meu nome é Lana, eu tenho uma amiga que sofreu o mesmo destino, seria possível ajudarmos ela também?

Claro, ajudaremos todas que encontrarmos pelo caminho, porém você terá que me apontar o caminho para a capital a partir daqui, faz muito tempo, não consigo me lembrar.

Lana acena com a cabeça se afastando do centro e tentando olhar para a estrutura abaixo através da escada, o golem passa a assimilar as partes da outra torre se tornando maior enquanto se põe em pé novamente e volta a andar em passos pesados.

A noite se revela cheia, diversas torres assimiladas e garotas resgatadas que se juntam nos andares inferiores, com a criatura crescendo e avançando.

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Trono de Pedra

Uma manhã aparentemente pacífica é perturbada, enquanto um rei ignorante senta em seu excessivamente luxuoso trono particular em sua sala, revisando alguns papeis, uma voz ecoa pelos corredores a sua procura:

Meu Rei, uma criatura imensa está se aproximando do… - enquanto o escudeiro fala um tremor começa a surgir ao longe, correndo até a janela, um gigantesco golem de pedra se aproxima da muralha da cidade é avistado pelo rei, ao se chocar com a muralhas, o golem simplesmente a atravessa como se fosse água, consumindo a estrutura do local enquanto começa a se mover por cima das casa de uma forma absurda, parecendo deslizar sobre as estruturas sem as destruir.

Malditos magos, acione todos, dispare tudo que estiver à nossa disposição agora, nós temos que parar aquela coisa.

Certo meu Rei - o escudeiro realiza uma reverência e corre para fora da sala, os momentos que se passam são regados de ataques inúteis, flechas, pedras, raios reluzentes e até bolas de fogo são jogadas contra a criatura que continua a se mover diretamente na direção da… sala do rei.

Não é possível, o que eles querem, guardas! Minha ofensiva pessoal, comigo agora, cessem o fogo e venham a mim!

A ordem é recebida e em poucos minutos os ataques cessam e uma frente de soldados é unida em sua sala, quando a criatura vira seu “rosto” na direção das janelas da sala, o rei cai no chão em pânico, olhando para a monstruosidade enquanto os seus homens se mantém no lugar, o castelo treme, um ataque? O rei corre porém ao tentar sair da sala uma parede fecha o corredor e então…

A sala se abre, a cabeça do golem se conecta ao castelo, e a mesma se abre, a mulher de olhos vermelhos pula de dentro do golem pisando com sua perna de pedra no chão, despejando uma camada de gelo que atinge todos os soldados, os deixando congelados até a cintura, sendo seguida por diversas mulheres surgindo da criatura portando lanças enquanto Myera solta um sorriso e corre na direção do rei.

Não tente fugir agora.

Um soldado que permanecia escondido no canto da sala no início do corredor avança em direção a ela com sua espada, Myera por sua vez, instintivamente junta as mão em sua frente emanando um brilho vermelho que dá origem a um grande jato de fogo que incinera o homem a queima roupa, o fazendo cair no chão já sem vida, em seguida seguindo lentamente em direção ao rei, apontando a palma da mão na direção do trono atrás de si, o mesmo é destruído pelas pedras tendo seus restos transportados pelo chão indo rapidamente em direção ao rei, o prendendo contra a parede em um casulo formado de seu próprio trono.

Q-Quem é você?

Cale a boca, só está vivo pois suas informações são importantes. - se movendo de volta à sala trazendo o casulo consigo, os soldados restantes permaneciam rendidos com suas armas no chão enquanto observavam seu rei humilhado.

Nós resgataremos todas aquelas que foram esquecidas, não haverão mais torres ou dotes, o reino será nosso a partir de agora! - Grita Myera enquanto olha para as garotas que levantam suas lanças ao ar em comemoração, em contrapartida ela prende o antigo rei contra a parede e constrói um novo trono de pedra, sentando-se no mesmo e fazendo seu golem se colocar em pé independentemente, mantendo a sala e o telhado do castelo abertos.

Olhando para as garotas agora libertas à sua frente conversando entre si, Myera passa a acariciar sua mão entalhada de runas por um momento, esboçando um sorriso largo enquanto volta sua visão para a vastidão do reino recostando-se no trono.